Uso do solo, mineração e seletividade territorial em Minas Gerais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24302/drd.v16.6252

Resumo

O artigo analisa as transformações no uso do solo e a expansão territorial da mineração em Minas Gerais, discutindo suas relações com dinâmicas institucionais e processos de seletividade territorial a partir de uma abordagem crítica e multiescalar. A análise articula o debate sobre território, escala e ação estatal com dados secundários do MapBiomas e da IDE-SISEMA. Os dados da Coleção 9 do MapBiomas são utilizados para examinar as mudanças no uso e na cobertura da terra entre 1985 e 2023, enquanto a IDE-SISEMA permite caracterizar a configuração atual das poligonais vinculadas a processos minerários ativos segundo suas diferentes fases administrativas. Os resultados mostram que a agricultura apresentou a maior expansão entre as classes analisadas, seguida pela silvicultura, enquanto a mineração registrou crescimento superior a 300%, embora com expressão espacial significativamente menor. A base da IDE-SISEMA reúne 48.621 registros espaciais vinculados a processos minerários ativos, com predominância das autorizações de pesquisa, evidenciando uma dimensão institucional da territorialidade mineral que não coincide integralmente com a superfície efetivamente minerada. A análise sugere que as transformações territoriais observadas não podem ser atribuídas a um único setor ou centro de decisão, mas devem ser compreendidas em relação às articulações entre agentes econômicos, instituições, infraestrutura e diferentes escalas. A seletividade territorial é, assim, mobilizada como chave interpretativa para refletir sobre as condições diferenciadas pelas quais distintos usos e atividades se territorializam em Minas Gerais.

Palavras-chave: uso do solo; mineração; seletividade territorial; Minas Gerais; desenvolvimento regional.

Biografia do Autor

  • Lucas Rocha Santos, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)

    Mestre em Desenvolvimento, Planejamento e Território pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e engenheiro agrônomo. Atua na interface entre planejamento territorial, políticas públicas rurais e disputas socioambientais, com ênfase em agricultura familiar, desenvolvimento territorial, seletividade estatal e uso e ocupação do solo. Possui experiência em pesquisa e extensão rural, com atuação em análises multiescalares do território, dados espaciais e políticas públicas voltadas ao meio rural.

  • Simone de Faria Narciso Shiki, Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

    Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia (1995), mestrado em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (1998) e doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2007). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: cerrados, política pública, indicadores de sustentabilidade, desenvolvimento sustentável e agricultura sustentável. Professora titular do departamento de Economia da Universidade Federal de São João del Rei.

  • Shigeo Shiki, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)

    Possui doutorado em Economia - University of London (1991). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: reforma agrária, pagamentos por serviços ambientais, sistema agroalimentar, sustentabilidade e agricultura familiar.

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Publicado

2026-09-18

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

SANTOS, Lucas Rocha; SHIKI, Simone de Faria Narciso; SHIKI, Shigeo. Uso do solo, mineração e seletividade territorial em Minas Gerais. DRd - Desenvolvimento Regional em debate, [S. l.], v. 16, p. 582–602, 2026. DOI: 10.24302/drd.v16.6252. Disponível em: https://www.periodicos.unc.br/index.php/drd/article/view/6252. Acesso em: 18 set. 2026.