Colonialidade do poder e neoextrativismo na Amazônia: disputas territoriais e a estrutura do saber

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DOI:

https://doi.org/10.24302/prof.v13.6209

Resumo

O presente artigo propõe uma análise exauriente e crítica acerca da persistência e da metamorfose da colonialidade do poder e do saber na Amazônia contemporânea, articulando tal fenômeno sociológico e histórico à emergência e consolidação do neoextrativismo como modelo hegemônico de desenvolvimento. Sob o pálio de uma abordagem interdisciplinar que conjuga a sociologia política, a ecologia política e o direito constitucional, investiga-se profundamente como a estrutura de dominação eurocêntrica — fundamentada na classificação racial da população, na divisão internacional do trabalho e na naturalização da sociedade liberal de mercado — subjaz ao modelo de exploração predatória que reconfigura violentamente os territórios amazônidas neste primeiro quartel do século XXI. Através de uma exegese detalhada das obras seminais de Aníbal Quijano, Edgardo Lander, Maristella Svampa, Eduardo Gudynas e Carlos Walter Porto-Gonçalves, entrelaçada a um robusto corpo de dados empíricos referentes ao biênio 2024-2025, o trabalho demonstra que o "Consenso das Commodities" evoluiu para formas mais complexas de "colonialidade verde", intensificando conflitos socioambientais através de mecanismos de financeirização da natureza, como os mercados de carbono, e grandes projetos de infraestrutura logística. Conclui-se, em última análise, que a inércia institucional e a cumplicidade estatal frente ao capitalismo de despojo e à "extrahección" exigem uma intervenção jurisdicional e política pautada no giro decolonial, no reconhecimento dos Direitos da Natureza e na efetivação do Bem Viver, condições sine qua non para a sobrevivência do bioma e de seus povos.

Palavras-chave: colonialidade do poder; neoextrativismo; Amazônia; disputas territoriais; giro decolonial.

Biografia do Autor

  • Lucas Ilan Silva Santos, Universidade Federal do Pará (UFPA)

    Bacharelando em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Estagiário do Sacha Calmon Misabel Derzi Consultores e Advogados. 

  • Ricardo Evandro Santos Martins, Universidade Federal do Pará (UFPA)

    Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). Docente da Faculdade de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Direito Humanos da UFPA (CAPES 5). Ex-Assessor técnico no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), no Governo Federal (Governo Lula, durante o ano de 2023). Doutor em Direito pelo PPGD-UFPA (CAPES 5). Membro do GT de Filosofia Hermenêutica da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia-ANPOF. Advogado com inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil-OAB-PA n. 16.295. A pesquisa do mestrado se desenvolveu especialmente sobre as relações entre Teoria pura do direito e Neokantismo (Hans Kelsen e Heinrich Rickert). A pesquisa de doutorado se desenvolveu especialmente sobre a Epistemologia das Ciências do Direito e Hermenêutica filosófica (Hans-Georg Gadamer). Autor de 4 livros publicados: "Ciência do Direito como Ciência humana: a influência do Neokantismo em Hans Kelsen" (Editora Fi, 2017); "Ciência do Direito e Hermenêutica" (Editora Phi, 2018); "Seis ensaios sobre Agamben: calúnia, colonialidade e pandemia" (Editora Fi, 2020); "Cinema, Direito e Biopolítica" (Editora Fi, 2022) (como Organizador). Artigos publicados sobre Franz Brentano, Hans Kelsen, Kitaro Nishida, Hans Jonas, Hans-Georg Gadamer, Roberto Esposito, Benedito Nunes, Max Martins, Peter Sloterdijk e Giorgio Agamben. Foi colunista do Jornal Bemdito. E foi ensaísta e editor do Portal Ensaio (Medium). Tem ensaios publicados nos portais da "A Terra é Redonda" e na Revista Humanitas (UNISINOS). Tem textos em blog próprio (Medium). E traduziu textos de Mark Fisher, Dorothy Soelle, Colby Dickinson e de Jacob Taubes. Foi aluno do Corpo Freudiano - Seção Belém. Já coordenou Grupo de Pesquisa "Direitos humanos e Teologia política: Neoliberalismo, forma-de-vida e insurreição do uso". Atualmente pesquisa sobre a filosofia de Giorgio Agamben, investigando conceitos como Teologia política, Pós-Anarquismo, Biopolítica, Neoliberalismo, Colonialidade, Ontologia, História do Direito. Também tem interesse no conceito de "cristofascismo" e na perspectiva psicanalítica sobre psicologia das massas. Também tem interesse no tema do Aceleracionismo por Mark Fisher e crítica do pensamento de Nick Land. Integra o GENA-Amazônia, sob coordenação de Jean-François Deluchey, Pierre Dardot e Christian Laval. E integra Grupo de Estudos e Projeto de Pesquisa coordenado por Felipe de Campos Ribeiro (Faculdade de Psicologia da UFPA).

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Publicado

2026-02-02

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

SANTOS, Lucas Ilan Silva; MARTINS, Ricardo Evandro Santos. Colonialidade do poder e neoextrativismo na Amazônia: disputas territoriais e a estrutura do saber. Profanações, [S. l.], v. 13, p. 47–68, 2026. DOI: 10.24302/prof.v13.6209. Disponível em: https://www.periodicos.unc.br/index.php/prof/article/view/6209. Acesso em: 7 fev. 2026.