Cooperativismo e inclusão social

o caso dos mercados institucionais no Sul do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24302/drd.v12.3547

Resumo

Foi no interior do Rio Grande do Sul que surgiram as primeiras cooperativas do Brasil. Não obstante, é também nesse estado que se assiste à emergência das cooperativas empresariais, organizações econômicas que se agigantaram, durante as décadas de 1960 e 1980, graças aos generosos subsídios do Estado autoritário (1964-1985). A crise econômica desencadeada durante e depois dos anos 1980 – a década perdida – abalou os fundamentos do cooperativismo empresarial e os princípios desta doutrina econômica e social. O presente artigo se debruça sobre uma realidade completamente distinta, qual seja, a de pequenas cooperativas de agricultura familiar situadas no extremo meridional do Brasil cujo surgimento está inextricavelmente ligado à implantação das políticas de segurança alimentar, mormente pelas compras institucionais capitaneadas por entes públicos, a exemplo do Restaurante-Escola da Universidade Federal de Pelotas. Tal sistema se mostra eficiente tanto do ponto de vista de assegurar o atendimento da demanda como no sentido de promover a inclusão social das famílias rurais que integram o quadro social das cooperativas. Todavia, tal processo é interrompido por força das imposições burocráticas dos órgãos federais de controle, fato que gera incertezas e desalento para os atores implicados nesse processo. Entrementes, resta o reconhecimento sobre as virtudes do cooperativismo como caminho para conciliar desenvolvimento econômico com justiça social e de incentivar a inovação, a aprendizagem e a convergência em torno a interesses e objetivos comuns. O objetivo do artigo é fazer uma reflexão sobre essa experiência à luz da realidade concreta. Tal aproximação se deu a partir de metodologia qualitativa cuja ênfase foram entrevistas com roteiro semiestruturado aplicadas junto a diversos atores sociais, especialmente de lideranças e produtores que atuam nas cooperativas ligadas aos mercados institucionais.

Palavras-chave: Segurança alimentar. Agricultura familiar. Cooperativismo. Mercados Institucionais.

Biografia do Autor

Danielle Farias da Silveira, Universidade Federal de Pelotas

Agrônoma, Mestre em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar da Universidade Federal de Pelotas.

Flávio Sacco dos Anjos, Universidade Federal de Pelotas

Agrônomo, Doutor em Sociologia pela Universidade de Córdoba, Espanha (2000), Professor Titular da Universidade Federal de Pelotas, no Departamento de Ciências Sociais Agrárias da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. Pelotas. Rio Grande do Sul. Brasil.

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Publicado

2022-03-31

Como Citar

Silveira, D. F. da, & Anjos, F. S. dos. (2022). Cooperativismo e inclusão social: o caso dos mercados institucionais no Sul do Brasil. DRd - Desenvolvimento Regional Em Debate, 12, 91–109. https://doi.org/10.24302/drd.v12.3547

Edição

Seção

Artigos